Na trilha dos dinossauros

Na bacia do Rio do Peixe, na Paraíba, o Vale dos Dinossauros esconde pegadas de mais de 80 espécies desses seres gigantescos.


“Rastro de boi e rastro de ema”. Foi assim que o agricultor Anísio Fausto da Silva descreveu as estranhas pegadas que encontrou no leito seco do Rio do Peixe, no município de Sousa, em 1897, quando saiu para procurar o rebanho que havia fugido. Ele sabia que havia achado algo que não era nada usual. No entanto, não fazia ideia do tamanho da sua descoberta: ali estava, diante dele e ainda intocado, um dos mais importantes sítios arqueológicos do planeta.


Mais de duas décadas depois, em 1924, o geólogo Luciano Jaquis de Morais fotografou as pegadas com uma, hoje arcaica, câmera do tipo lambe-lambe, e as enviou para laboratórios de pesquisa fora do Brasil, que constataram: tratavam-se de rastros de dinossauros do período Cretáceo. Uma joia arqueológica, de valor inestimável.


Hoje, o local é conhecido como Vale dos Dinossauros e atrai turistas, estudantes e cientistas, que chegam de todas as partes movidos pela curiosidade de ver e aprender sobre as marcas deixadas por alguns dos maiores animais que já habitaram nosso planeta. As pegadas variam de pequenas, com cerca de 5 cm, atribuídas a dinossauros do tamanho de uma galinha, a outras maiores, de 40 cm, pertencentes a iguanodontes, que chegavam a pesar 4 toneladas e a medir 5m de comprimento e 3m de altura! Foram encontrados vestígios até de Tiranossauro Rex e Pterodáctilo, assim como marcas de gotas de chuva petrificadas, resquícios de vegetação primitiva e inscrições rupestres pré-históricas.


O Vale dos Dinossauros se estende além da cidade de Sousa e abriga uma área de mais de 700 km2, distribuídos em 30 localidades. Nessa região, foram catalogados rastros de mais de 80 espécies diferentes, em 20 níveis estratigráficos. Um dos grandes destaques do sítio é uma trilha de 43m de pegadas, em linha reta, a maior do gênero em todo o mundo.


Parte do local foi transformada no Parque dos Dinossauros, uma área de 40 hectares que abriga o leito do Rio do Peixe, onde podem ser vistas as marcas deixadas pelos gigantescos animais, e conta com um museu, no qual estão presentes réplicas das pegadas, além de mapas e maquetes contando um pouco da história e da formação geológica desse lugar fascinante.


Foto: Adolfo Fotos

CC



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